O SÁBIO MARKANDEYA





Cupido tenta o sábio Markandeya:




Durante o reinado do sétimo Manu, a era atual, o Senhor Indra veio saber das austeridades de Markandeya e ficou com medo de sua crescente potência mística. Então ele tentou impedir a penitência do sábio. Para arruinar a prática espiritual do sábio, o Senhor Indra enviou Cupido, belos cantores celestiais, dançarinas, a primavera e a brisa com aroma de sândallo das Colinas Malaya, bem como a cobiça e a intoxicação personificadas.


Eles se dirigiram ao eremitério de Markandeya, no lado norte das montanhas Himalaias, onde o rio Puspabhadra passa pelo famoso pico Citra.
Bosques de árvores piedosas decoravam o sagrado asrama de Markandeya Rsi, e muitos brahmanes santos viviam ali, desfrutando os abundantes, puros e sagrados reservatórios de aruá. No asrama ressoavam o zumbido de abelhas intoxicadas e o arrulho de cucos excitados, enquanto pavões jubilosos dançavam em volta. De fato o eremitério vivia repleto de muitas famílias de aves enlouquecidas.

A brisa primaveril enviada pelo Senhor Indra entrou ali, levando gotículas de cachoeiras próximas. Fragrante em virtude do abraço das flores silvestres, esta brisa entrou no eremitério e começou a evocar o luxurioso espírito de Cupido. A primavera então apareceu no asrama de Markandeya. O céu noturno, que reluzia com a luz da luz nascente, tornou-se a própria face da primavera, e brotos de flores frescas praticamente cobriam a multidão de árvores e trepadeiras.


Cupido, o senhor de muitas mulheres celestiais, então chegou ali com seu arco e flechas, seguido de grupos de Gandharvas que tocavam instrumentos musicais e cantavam. Esses servos de Indra encontraram o sábio Markandeya sentado em meditação, após ter acabado de oferecer suas oblações prescritas no fogo do sacrifício. Com os olhos flamejados em transe, ele parecia invencível, como o fogo personificado.

As mulheres dançavam diante do sábio e os cantores celestiais cantavam com um encantador acompanhamento de tambores, címbalos e vinas. Enquanto o filho da paixão (a cobiça personificada), a primavera e os outros servos de Indra tentavam agitar a mente de Markandeya, Cupido sacou sua flecha de cinco pontas e fixou-a em seu arco. A Apsara Punjikasthali fazia uma exibição brincando com várias bolas. Sua cintura parecia pesada por causa de seus amplos seios e a guirlanda de flores em seus cabelos se desfez. Enquanto corria atrás das bolas, olhando para todos os lados, o cinto de seu filho vestido soltou-se e de repente o vento levou suas roupas.

Cupido , pensando que havia vencido o sábio, disparou então sua flecha. Mas todas essas tentativas de seduzir Markandeya provaram ser inúteis.


Enquanto tentavam prejudicar o sábio, Cupido e seus seguidores sentiram-se queimados vivos pela potência dele, assim como crianças que despetaram uma cobra adormecida. Desse modo, pararam com sua atitude maldosa. Os imprudentes seguidores do Senhor Indra importunaram o santo Markandeya; este, contudo, não sucumbiu a nenhuma influência deles. O poderoso rei Indra encheu-se de espanto ao ouvir falar da proeza mística do sublime sábio Markandeya e ver como Cupido e seus companheiros se mostraram débeis em sua presença.




O aparecimento de Nara e Narayana:




Desejo de conceder misericórdia ao santo Markandeya, que fixara a mente em perfeita auto-realização através de penitência, estudo védico . observância dos princípios religiosos e sua austeridade sem limite, a Suprema Personalidade de Deus apareceu em pessoa diante do sábio sob as formas de Nara e Narayana.



Sri Markandeya vê a potência ilusória do Senhor:




Certo dia enquanto Sri Markandeya oferecia suas preces vespertinas, a água da devastação de repente inundou os três mundos. Com grande dificuldade Markandeya, sozinho, divagou sem rumo nessa água por muito tempo, até que chegou a uma figueira-se-bengala. Deitado em uma folha de árvore havia um bebê que brilhava com uma refulgência encantadora. Enquanto se movia em direção à folha, Markandeya foi tragado pela inalação do menino e, tal qual um mosquito, foi arrastado para dentro de Seu corpo.


Dentro do corpo do bebê, Markandeya, surpreso, viu o Universo inteiro exatam,ente como este fora antes da aniquilação. Depois de um momento, o sábio, em virtude da exalação da criança, foi arrojado de volta ao oceano da aniquilação. Então, ao ver que a criança na folha era de fato o Senhor Hari, Sri Markandeya tentou abraçá-lo. Mas naquele momento o Senhor Hari, o senhor de todo o poder místico, desapareceu. Depois disso as águas da aniquilação desapareceram também, e Sri Markandeya viu-se em seu próprio asrama, assim como antes.






O Senhor Shiva e a Deusa Parvati glorificam Markandeya Rsi:





Certa vez, enquanto viajava no céu com sua esposa Uma (Parvati), o Senhor Shiva deparou com Sri Markandeya absorto em transe de meditação. A pedido de Parvati, o Senhor Shiva apresentou-se diante do sábio para lhe conceder o resultado de suas austeridades. Saindo de seu transe, Sri Markandeya ciu adorou o Senhor Shiva, o mestre espiritual dos três mundos, junto com Parvati e os companheiros de Shiva oferecendo-lhes reverências, palavras de boas vindas, assentos, água para lavar os pés, água aromatizada para beber, óleos perfumados, guirlandas de flores e lamparinas de árati e um assento.


O Senhor Shiva então louvou os devotos santos da Suprema Personalidade de Deus e solicitou a Sri Markandeya que pedisse qualquer bênção que desejasse. Markandeya rogou-se por devoção inabalável ao próprio Senhor Shiva. Satisfeito com a devoção de Markandeya, o Senhor Shiva concedeu-lhe diversas bênçãos: celebridade, liberdade da velhice e da morte até a época da dissolução universal, conhecimento de todas as três fases do tempo, renúncia, conhecimento realizado e a posição de mestre dos Puranas.


Após conceder essas bênçãos a Markandeya Rsi, o Senhor Shiva seguiu seu caminho, continuando a descrever à deusa Parvati os feitos do sábio e a direta exibição do poder ilusório do Senhor que ele experimentara.


Markandeya Rsi, o melhor dos descendentes de Bhrgu, é glorioso porque logrou a perfeição da yoga mística. Ainda hoje ele viaja mundo afora, completamente absorto na devoção imaculada à Suprema Personalidade de Deus.
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